Modificações no Puepério

PUERPÉRIO

É o período do ciclo gravídico-puerperal em que as modificações locais e sistemáticas, causadas pela gestação no organismo materno, retornam ao estado pré-gravídico. Os ajustes fisiológicos e psicológicos rápidos começam logo após o parto e permanecem por, aproximadamente, 6 semanas.

Pode ser classificado:

Segundo Mello & Neme, as fases do puerpério são as seguintes:

  • Puerpério imediato: inicia-se após o término da dequitação e estende-se de 1,5 a 2h após o parto, o que corresponde ao período de Greenberg.
  • Puerpério mediato: estende-se do final da fase imediata até o 10º dia do pós-parto.
  • Puerpério tardio: inicia-se no 11º dia pós parto até o reinício dos ciclos menstruais, nas que não lactam, e até, a 6º ou 8º semana nas lactentes.

Segundo Rezende, as fases do puerpério classificam-se:

  • Puerpério imediato: inicia-se após a dequitação e se estende até o 10º dia do pós-parto;
  • Puerpério tardio: do 11º dia ao 45º dia do pós-parto;
  • Puerpério remoto: do 46º dia até a completa recuperação das alterações imprimidas pela gestação e a volta dos ciclos menstruais ovulatórios normais.

MODIFICAÇÕES LOCAIS NO PUERPÉRIO

 ÚTERO: atinge a cicatriz umbilical após a dequitação (saída da placenta), e regride em torno de 1 cm até o 3º dia, e depois em 0,5 cm até o 12º dia quando o útero tangencia a borda superior da sínfise púbica. Essa involução pode ser irregular, variando de puérpera para puérpera.

Involução uterina

Forma-se inicialmente um tamponamento dos vasos pela compressão do miométrio para, em seguida, formarem-se trombos que impedirão a perda sangüínea. Esse processo de hemóstase pode ser percebido através do globo de segurança de Pinard, onde os vasos uterinos estão contraídos, e com isso tem-se um útero com consistência firme.

Inicialmente surgem os LÓQUIOS, que é a perda vaginal após o parto, constituída de produtos de descamação e sangue da ferida placentária, do colo uterino e da vagina. Podem ser classificados em: Sangüíneos (até o 4° dia), em volume variável, semelhante a uma menstruação, constituído de sangue, células epiteliais, muco e cristais colesterina; Serossanguíneos estão presentes do 4º dias até o 10º pós-parto, resultam de alterações da hemoglobina, redução do número de hemácias e aumento dos leucócitos;  Amarelos são encontrados após o 10º dia, tem aspecto purulento e, progressivamente, tornam-se serosos ou brancos. A partir da 5º-6º semanas após o parto, confundem-se com a secreção cervicovaginal normal.

 COLO UTERINO: após o parto, o colo está flácido, violáceo e lacerado nas comissuras. A restauração epitelial inicia-se dentro de 4 dias. Até o o 3º dia pós-parto, o colo é permeável ao dedo indicador, já no 5º dia torna-se impérvio nas primíparas, e no 10º dia nas multíparas. Com 6 semanas, o colo apresenta características pré-gravídicas.

 VULVA E VAGINA: Nas primigestas, podem ser encontrados retalhos de membrana himenal (carúnculas mirtiformes) decorrente da compressão cefálica fetal. A vagina tem a aparência edemaciada e arroxeada, voltando a aparência do estado anterior à gestação por volta da 3ª semana, nas mulheres que amamentam. Já aquelas que não amamentam, alterações acontecem em torno da 6ª semana.

PERÍNEO: está com sua musculatura distendida e fraca, com os tecidos edemaciados e cianosados. E com frequência podem surgir varicosidades do plexo hemorroidário ou hemorroidas preexistentes podem-se agravar.

PAREDE ABDOMINAL: a musculatura fica distendida durante a gestação, perdendo sua tonicidade. É importante a orientação da enfermeira quanto os exercícios para auxiliarem na recuperação da força e do tônus muscular.

MODIFICAÇÕES GERAIS DO PUERPÉRIO

 SINAIS VITAIS: Temperatura: pode haver elevação da temperatura, durante as primeiras 24h do pós parto, de até 38 °C, que é atribuída ao esforço e à desidratação do parto ou à invasão de germes e produtos tóxicos locais na circulação materna através das pequenas soluções de continuidade existentes no canal de parto. Uma elevação acima de 38 °C, por duas vezes nos primeiros 10 dias após o parto, ( excluindo as primeiras 24h), é considerada complicação puerperal. Pulso: pode ocorre queda da freqüência cardíaca para 50-60 nos primeiros 8 dias após o parto, atribuída ao aumento brusco do retorno venoso. Respiração: há retorno do padrão respiratório costoabdominal por causa da descompressão do diafragma, conseqüente ao esvaziamento uterino. Pressão arterial: a queda da pressão sanguínea pode estar relacionada à perda excessiva de sangue, enquanto uma elevação é sugestiva de hipertensão gravídica.

SISTEMA CARDIOVASCULAR: o volume sanguíneo, que logo após o parto declina em função do volume da hemorragia da dequitação, retorna ao normal nas primeiras 6 semanas. A pressão venosa nos MMII cai bruscamente após o parto por causa da descompressão das veias ilíacas e da veia cava inferior, atenuando as varizes existentes. Há tendência a complicações tromboembólicas, devido ao aumento de fibrinogênio que é um fator de coagulação, para diminuir o risco é importante a deambulação precoce e frequente. E também realizar o exame para verificar trombose, através sinal de Homam, que consiste na dorsoflexão do pé sobre a perna e o doente vai referir dor na massa muscular na panturrilha. Para identificação de Edema muscular: é feito a palpação da massa muscular dando menor mobilidade a panturrilha que fica empastada. Quando comparada com outro membro constitui o sinal da Bandeira.

Sinal de Homans

Sinal de Bandeira

SISTEMA URINÁRIO: a retenção urinária após o parto pode ocorrer em razão de a bexiga estar muitas vezes edemaciada e traumatizada, sensibilidade diminuída à pressão exercida pela urina, edema e traumatismos dos tecidos em torno do meato urinário. Dor lombar discreta, febre, retenção urinária, disúria, polaciúria são indicativos de infecção urinária.

SISTEMA DIGESTIVO: a descompressão abdominal corrige e normaliza a topografia gástrica, favorecendo o mais rápido esvaziamento do estômago. O funcionamento fisiológico intestinal é restaurado em torno do 3° ao 4° dia após o parto.

SISTEMA TEGUMENTAR: a hiperpigmentação da face (melasma), do abdome e da mama, que no puerpério imediato se intensifica (pela retração da pele), sofre redução progressiva, embora possa persistir por muito tempo ou permanecer.

Melasma (hiperpigmentação facial)

SISTEMA ENDÓCRINO: a placenta produz vários hormônios, dentre eles: estrogênio, progesterona e gonadotrofina coriônica. Após a saída da placenta, ocorre queda abrupta desses hormônios, contribuindo para a elevação dos níveis de prolactina, que é essencial para a lactação. A volta da menstruação para as mães que amamentam é variável, normalmente tem o tempo médio de 3 a 6 semanas.

BONS ESTUDOS!!

REFERENCIA

REZENDE, J. Obstetrícia Fundamental. 11ª ed., Guanabara Koogan, 2008

BARROS, Sonia Maria Oliveira de. Enfermagem no ciclo gravídico-puerperal. Barueri, SP. Manole, 2006

BRASIL. Parto, aborto e puerpério: assistência humanizada à mulher/ Ministério da Saúde, Secretaria de Políticas de Saúde, Área Técnica da Mulher. – Brasília: Ministério da Saúde, 2001.

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